Estilos de Comunicação

12_teaser-assertividade

No dia a dia do trabalho com a psicologia percebo comumente pessoas com problemas advindos da forma como se comunicam em suas relações, seja com os pais, filhos, cônjuges, irmãos, amigos ou colegas de trabalho.

Até mesmo na comunicação por escrito podemos perceber que uma simples vírgula pode fazer toda a diferença. Se eu escrevo: “Não pare!” estou dizendo para algo continuar; agora, se digo: “Não, pare!” estou pedindo justamente o contrário, para que algo seja interrompido.

Na comunicação verbal então nem se fala! Pois neste caso ainda existem questões como a entonação e a altura da voz, a postura mantida enquanto se fala, os gestos e expressões faciais… Enfim, a forma como falamos pode mudar tudo. Por isso é fundamental que saibamos nos comunicar de forma a expressar o que realmente queremos, de maneira adequada e clara, evitando estilos de comunicação ineficazes, como o passivo, o agressivo e o passivo-agressivo.

No estilo passivo a pessoa acaba abrindo mão das coisas por acreditar que seja necessário confronto para consegui-las. Isso gera sentimentos negativos na mesma, pois acaba não sendo atendida e pode se sentir mal por não conseguir dizer o que pensa.

Na comunicação agressiva o indivíduo tenta impor suas vontades de maneira ríspida, chegando a desrespeitar as outras pessoas envolvidas ao utilizar coerção e agressividade para obter aquilo que considera seu direito. De fato, pode até conseguir o que almeja, mas isso traz alguns custos às suas relações.

Já a forma passivo-agressiva seria um meio termo entre as anteriores, em que a pessoa além de não deixar claro o que deseja, se expressa com uma agressividade velada, murmurando coisas, usando ironias, sarcasmos e piadas, podendo “descontar” nos outros o que sente. Essa postura facilita ao indivíduo se sentir incompreendido e assim transferir para o outro a responsabilidade dos problemas gerados pela forma como se comunica.

Percebe-se que todas essas formas provocam problemas nas relações do indivíduo, levando a prejuízos em sua vida e na das pessoas com quem convive. Por isso, uma alternativa eficaz para se expressar é a assertividade. Para se comunicar de modo assertivo é preciso reconhecer os próprios direitos e os dos demais, expressando a própria opinião sem desrespeitar o outro. Deve-se assumir o que pensa, transmitindo de forma clara e objetiva, sem rodeios e inclusive dizendo “não” quando se desejar recusar algo, mantendo-se firme e não cedendo a pressões.

Falando assim parece fácil, mas na prática pode ser muito difícil. Por isso, algumas dicas são: tomar cuidado com a forma como se fala, com o tom de voz usado e a altura, com a postura do corpo, gestos e expressões faciais. É imprescindível que se evite impulsividade, pensando antes de falar para estar seguro do que é dito. Vale planejar com antecedência o quê e como falar e até mesmo treinar para tal quando se trata de assuntos sérios, como entrevistas, negociações e resoluções de conflitos. Evitar falar ou discutir algo importante quando se está de “cabeça cheia”, cansado ou irritado, inclusive tentando identificar se a pessoa com a qual se está falando se encontra em condições para ouvir no momento. Tente mostrar compreensão e estar disposto a ceder e negociar quando possível.

Quando o caso não for de dizer o que pensa, mas sim de recusar algo que lhe for sugerido ou solicitado, é importante ser claro ao expressar sua vontade, mostrando segurança e objetividade. Seja sincero e evite dar justificativas. Fazendo desta forma evita-se a sensação de culpa por dizer não a alguém ou, do contrário, por não ter se portado da forma que desejava e acabar fazendo algo contra a própria vontade.

Uma boa forma de treino é pensar em algumas situações que vivenciou recentemente e registrar que estilo de comunicação percebe que utilizou. Caso perceba que não tem conseguido ser assertivo, tente pensar de que forma isso poderia ser feito, como poderia ter utilizado as palavras em cada caso de forma mais eficaz, sem reprimir o que sente e nem ser agressivo.

É claro que não podemos desconsiderar o fato de que essa não é uma via de mão única e que, mesmo sendo assertivo, existe a possibilidade de a outra pessoa em questão não se portar da mesma forma. Mas é muito mais provável que você se sinta melhor por agir assim, evitando que os conflitos surjam de sua parte. Além disso, você estará dando chance para que o outro repense sua forma de agir com você.

Se as pessoas se esforçarem para se expressar de forma mais assertiva os problemas surgidos como consequência de estilos ineficazes de comunicação poderão se tornar muito menores e menos frequentes. Todos ganham com isso!

Psicóloga clínica, analista do comportamento e especialista em dependência química. Trabalho em clínica para tratamento de transtornos psiquiátricos e dependência química e em consultório particular com atendimento a crianças e adultos.

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