Imagem Corporal

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Imagem Corporal

Peso, altura, circunferência da cintura e outras medidas corporais são indicadores objetivos sobre o corpo humano, padrões utilizados para mensurá-lo. Já a imagem corporal é subjetiva, pessoal, uma construção do sujeito a respeito de seu próprio corpo e suas formas.

O conhecimento a respeito é recente, tendo início no século XVI quando um cirurgião verificou a existência do “membro fantasma”. Esta expressão designa casos em que a pessoa perde uma parte do corpo, uma perna, por exemplo, mas a percebe como presente, podendo referir dores e outras sensações no local onde o membro estaria. Começaram então a surgir estudos investigando a construção subjetiva que fazemos de nosso corpo, como o enxergamos.

Essa autoavaliação sobre a forma física inclui o formato, o tamanho, o peso, a imagem que temos de nosso corpo e os sentimentos que esta nos traz. Tal construção recebe influência de fatores como: história de vida, cultura e crenças sociais, genética, relacionamentos interpessoais e aspectos emocionais.

Contexto Atual

Atualmente uma das grandes influências recebidas ainda na infância vem da mídia. Atrizes, cantoras, modelos, apresentadoras costumam ser interrogadas sobre seus “corpos perfeitos” e como fazem para mantê-los. É difícil ver celebridades femininas acima do peso, quando aparecem na televisão interpretando personagens costumam fazer papéis de “gordinhas”, assim como as mulheres negras estiveram restritas durante muito tempo a interpretarem escravas ou empregadas domésticas.

Para os representantes do gênero masculino destas profissões cobra-se um abdômen “tanquinho”, braços musculosos, aparência forte. Existe moda até para o corte de cabelo masculino, como o “coque samurai”, por exemplo. Barba antes era muitas vezes considerada sinal de desleixo, velhice, agora é considerada a “maquiagem” dos homens.

A mídia retrata um padrão pré-estabelecido de beleza que gera pressão para que as pessoas se adaptem ao mesmo. A partir disso, a própria sociedade passa a cobrar o padrão estético considerado ideal, discriminando o que se diferencia.

Isso acaba gerando uma cultura de valorização do corpo físico que leva as pessoas a buscarem dietas restritivas e abusivas, sem orientação especializada, a exagerarem na prática de atividades físicas e a fazerem intervenções cirúrgicas muitas vezes desnecessárias.

Existem inclusive relatos de casos de pessoas que fazem dietas com propósito de ganhar peso para se candidatarem à cirurgia bariátrica. Cirurgia esta que muitas vezes é realizada sem acompanhamento psicológico adequado, sem uma preparação que trabalhe a mudança abrupta do corpo que pode levar a um estranhamento e a uma perturbação da imagem corporal.

Alimentação “vazia”

De maneira contraditória a essa pressão pelo “corpo perfeito” temos a grande oferta atual de alimentos industrializados. Estes contêm as chamadas “calorias vazias”, pois não provêm os nutrientes dos quais o organismo necessita.

Crianças têm sido adaptadas a estes alimentos, como salgadinhos, biscoitos recheados e refrigerantes, que contêm açúcar, sódio ou gordura demais. As propagandas comerciais destes produtos são atrativas, coloridas e chamam atenção dos pequenos. A partir disso quem vai querer comer brócolis, chicória, além do menininho da propaganda engraçada?

Chegando na adolescência, o corpo em formação, vem a dificuldade de ter sido estimulado a uma má alimentação e já ser refém de um padrão estético imposto socialmente. Nesta fase costumam surgir comportamentos de risco para transtornos alimentares.

As exigências a respeito do corpo afetam diretamente a autoestima, prejudicando a construção da imagem corporal. Isso leva a insegurança, insatisfação e intensificação da baixa autoestima. Ou seja, um círculo vicioso que compromete a visão do sujeito sobre si mesmo.

Assim, temos indivíduos acima do peso, estimulados a comer de forma cada vez menos saudável, e, ao mesmo tempo, cobrados sobre uma aparência ideal. Quão confuso e potencialmente destruidor para a autoimagem isso pode ser?

O que fazer?

Diante desta dicotomia tão prejudicial, é fundamental avaliarmos a importância de algumas medidas no sentido de trabalhar tais questões, informando e colaborando com a prevenção do desenvolvimento de problemas alimentares e de autoestima.

Uma possibilidade pela via da educação é inserir nas escolas orientações nutricionais, conscientizando sobre a importância do comportamento alimentar saudável.

Em relação à mídia é necessário que seja retratada uma diversidade de aparências, mostrando pessoas com os diferentes biótipos encontrados na nossa população.

Desta forma, crianças em construção de sua imagem corporal e também adultos, poderão ter maior identificação e entender que não há apenas uma maneira de ser, nenhum corpo que seja “o ideal”.

Para quem sente ter problemas com a imagem corporal e gostaria de obter auxílio para trabalhar a questão, busque uma psicoterapia. Um profissional adequado pode contribuir para aumentar sua admiração por si mesmo!

Referências:

Ambulatório de Bulimia e Transtornos Alimentares. Disponível em: <http://www.ambulim.org.br>. Acesso em 26 de setembro de 2016.

Propaganda Sustagen Kids – Brócolis. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=dZmEpP1KqjI>. Acesso em 26 de setembro de 2016.

Psicóloga clínica, analista do comportamento e especialista em dependência química. Trabalho em clínica para tratamento de transtornos psiquiátricos e dependência química e em consultório particular com atendimento a crianças e adultos.

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