O “Tempo Psicológico”

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Nos dias atuais nosso tempo costuma ser contado. Até demais! Contado em números, de forma objetiva, matemática, precisa. Mas será que em termos emocionais ocorre da mesma forma? Ou será que existe um “tempo psicológico” para que as questões ligadas à vida emocional ocorram?

O tempo do Relógio

Estamos habituados a contabilizar nossas atividades por meio dos ponteiros do relógio. Hora disso, hora daquilo… Tantos minutos para realizar tal tarefa, certo tempo para se arrumar, determinada duração do trajeto até o trabalho… Enfim, vamos contando segundos, minutos, horas, sempre contabilizando o tempo para conseguir organizar tudo que precisamos fazer. Às vezes chega a dar a impressão de que vinte e quatro horas é pouco para um dia. Parece que precisamos de mais para dar conta de tudo.

E não é só o tempo que contabilizamos, também tem o dinheiro. Mas, afinal, como é expresso no dito popular, “Tempo é dinheiro”, não é mesmo? Assim, mais uma vez vamos nós, contando dezenas, centenas, milhares e, para os mais afortunados, milhões. Olha os números aí de novo!

Desta forma, acabamos nos adaptando a mensurar as coisas na nossa vida. Neste ponto é que muitas vezes surge certa dificuldade em relação ao que não pode ser calculado de forma precisa ou o que nem mesmo pode ser mensurado. Um exemplo é tudo aquilo que se relaciona com nossa vida emocional.

Quanto tempo vai levar?

Diante disso as pessoas costumam se mostrar bastante incomodadas quando nós, psicólogos, não estipulamos previamente a duração do acompanhamento psicoterapêutico. Também ao informarmos que não podemos dar uma previsão de tempo para o “aparecimento de resultados”.

É claro que seria muito mais fácil para a classe profissional se fosse possível predizer tais questões. Provavelmente as pessoas se sentiriam mais seguras e confiantes de começar uma psicoterapia se soubessem quanto tempo levaria e se obteriam o resultado que desejam.

Porém, isso não é possível. E qualquer profissional que dê certezas neste sentido estará sendo leviano. Isso porque nossa vida emocional não segue o tempo cronológico. Portanto, não dá para esperar que a psicoterapia acompanhe o tempo do relógio.

Por exemplo, imagine a seguinte questão: “Quanto tempo leva para superar o término de um relacionamento amoroso?”. Será que existe uma resposta correta, única e definitiva para tal pergunta? Provavelmente não.

Isso porque não existem regras e cada pessoa pode reagir de uma forma. Não é como se pudesse haver uma receita, pois para cada um de nós os ingredientes e o modo de preparo são diferentes. E é assim com tudo que pertence ao campo psicológico, por isso na psicologia costumamos dizer que “Cada caso é um caso”.

Leva-se em consideração que cada sujeito é um ser único, com história de vida, comportamentos, genética, ambientes, familiares e relacionamentos próprios, que o formam da maneira como é.

Dentro de um acompanhamento psicoterapêutico essa pessoa também se envolverá à sua própria maneira e o que poderá de alguma forma predizer os benefícios que serão obtidos não será o tempo que irá durar o acompanhamento, nem a frequência com que vai à terapia.

O Tempo Psicológico

Um dos fatores que realmente contribuirá para o desenvolvimento na psicoterapia, a realização das mudanças desejadas e o alcance dos objetivos almejados é conseguir encontrar seu próprio tempo. Envolver-se e comprometer-se com o processo, não apenas com os objetivos finais.

Para isso é fundamental não criar uma expectativa por resultados tendo uma referência cronológica, mas respeitar o tempo psicológico, emocional. Aquele que você necessita para absorver, assimilar, refletir e por em prática mudanças e novas formas de agir, mais saudáveis.

Este tempo é só seu e você aprenderá a reconhecê-lo e a respeitá-lo na medida em que vai evoluindo pelo processo psicoterapêutico. Por isso empenhe-se em sua psicoterapia e, se tiver dúvidas, peça orientação ao profissional* que te acompanha. Você é o grande segredo para o sucesso de sua terapia!

*Obs.: Buscar um profissional com referências e certificar-se de que o mesmo é inscrito regularmente no Conselho Regional de Psicologia é fundamental para garantir a qualidade do atendimento.

Psicóloga clínica, analista do comportamento e especialista em dependência química. Trabalho em clínica para tratamento de transtornos psiquiátricos e dependência química e em consultório particular com atendimento a crianças e adultos.

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