Quanto Mais Ação, Menos Reação

download (1)

Não pessoal, o título não está errado. Quando falamos de ação e reação na mesma frase quase que automaticamente nos lembramos da 3ª lei de Newton. Até quem não gostava tanto de ciências exatas no Ensino Médio se recorda desse conhecimento adquirido. Nessa lei o cientista inglês propõe a análise da troca de força na interação entre os corpos. Ou seja, a força que um corpo recebe é consequência da força que ele aplicou. Por exemplo: Quando uma pessoa caminha sobre uma superfície, ela é direcionada para frente graças à força que ela aplicou sobre o chão.

Mas quando falamos de ação e reação em nível de comportamento humano não podemos aplicar tal lei da física para compreendê-lo. Afinal nem todo bem que você fizer a outra pessoa irá retornar com a mesma intensidade, e talvez nem  retorne.  Da mesma forma, o mal.

Ação é ação, e ponto. Mas a reação neste caso é aquela indesejada. É, por exemplo, aquele lixo que ficou pra tirar no dia seguinte e consequentemente a casa com odor desagradável, ou a louça que acumulou na pia e que parece que nunca vai deixar de existir.

Comigo já aconteceram algumas situações do tipo. A pior de todas foi quando o motor do meu carro começou a fazer um barulho estranho e pessoas mais experientes no assunto me alertaram que a correia dentada deveria ser trocada de forma urgente. Pois bem, eu defini que não era tão urgente, e arquei com uma consequência extremamente desagradável. Às vésperas do meu casamento, minha então noiva e eu precisamos desembolsar um valor monetário considerável para os reparos. Eu deveria ter agido, não fiz, e olha no que resultou. Entende?

Muitas vezes não nos aplicamos como deveríamos em alguma atividade ou planejamento, e comumente os resultados são sempre os mesmos: estresse e frustração.

Atualmente sou mais disciplinado com as revisões do veículo e sempre que o abasteço aproveito para checar alguns itens importantes para seu bom funcionamento e, ao mínimo sinal de problemas, me empenho em agir para resolvê-los. Aprendi com a experiência.

E você? Já teve algum prejuízo material ou emocional por falta de ação?

Diariamente lido com as mais diversas demandas no consultório e tenho contato com o sofrimento de pessoas que se arrependem por não terem se engajado como deveriam em casamentos, empregos e amizades. Parece que sempre temos prioridades incompatíveis com as necessidades das relações.

Infelizmente estamos inseridos em uma cultura que cada vez mais estimula consequências desejadas com pouco esforço, vide os restaurantes fast food’s ou produtos prontos para o consumo, onde podemos “economizar tempo” e ter acesso aos mais variados cardápios, nem sempre saudáveis.

Comer fora ou uma lasanha “de caixinha” pode evitar as louças sujas e uma possível economia de tempo que seria utilizado no preparo. Afinal, é mais fácil aquecer uma pizza que vem pronta que preparar verduras e hortaliças (escolher, lavar, cortar).

Mas as consequências a médio e longo prazo, por exemplo, de uma vida alimentar desregrada e aliada ao sedentarismo não são nada agradáveis. Tanto é que grande parte da nossa população está acima do peso e/ou com condicionamento físico precário. Ou seja, a falta de ações em prol de melhores condições para nossa própria saúde nos faz enfrentar reações indesejáveis, como tratamentos para equilibrar as taxas de colesterol, lesões em articulações causadas pelo sobrepeso ou até mesmo procedimentos estéticos cirúrgicos arriscados.

Sei que tomar algumas atitudes, mesmo que necessárias, não é fácil ou agradável a princípio.

Mas todas as ações voluntárias (ex: ler, escrever, falar) que aprendemos ao longo de nosso desenvolvimento foram fruto de treinos onde erramos, tentamos novamente e seguimos evoluindo a partir deles.

Muitas vezes a falta de ação promove uma série de reações que nos exigirão muito mais esforço. Então, que tal fazer uma lista de ações necessárias? Sugiro uma lista de prós e contras de agir ou não, pois assim você poderá ver que o “preço” a se pagar por uma atitude necessária pode sair mais em conta que os prejuízos que não fazê-la podem lhe causar.

Psicólogo clínico, analista do comportamento e especialista em transtornos mentais e dependência química.

Mais textos