Resolução de Problemas

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Já reparou como é comum nos preocuparmos em excesso com questões que não podemos resolver? Pior, que muitas vezes nem são problemas nossos? Faço o convite para uma reflexão sobre se você costuma agir dessa maneira.

Pense, por exemplo, em como se sente em relação ao problema de um amigo ou familiar, à atitude de alguém com a qual não concorda, a uma pessoa que tenta ajudar, mas não te ouve, enfim, qualquer situação que não diga respeito especificamente a você, mas que dependa da mudança de atitude de um terceiro; ou daquilo que até te diz respeito, mas cuja resolução não está sob seu controle.

O que fazer então?

Nesses casos uma pergunta que sugiro fazer a si mesmo é: “Eu posso resolver a situação?”. Se a resposta for sim, ótimo, faça o possível para sanar o problema da melhor maneira. Caso seja não reflita sobre se ficar pensando a respeito irá trazer algum benefício, pois normalmente quando o fazemos, além de não nos ajudar a resolver, criamos outro problema, o mal estar que isso pode trazer.

Vou dar um exemplo muito simples: certa vez estava eu num shopping indo embora quando me dei conta de que não sabia onde estava o bilhete do estacionamento e que talvez o tivesse perdido. A minha reação natural seria ficar preocupada, talvez desesperada, começar a suar e ficar ansiosa a respeito das atitudes que teria que tomar para tentar resolver a situação e a burocracia que possivelmente enfrentaria para isso. Então tentei manter a calma e analisar a situação. Questionei se havia ainda algum lugar para procurar e foi aí que pensei que eu poderia ter esquecido no carro. Fui até lá e era exatamente o que tinha ocorrido, o bilhete estava ali.

Se desse conta de que realmente havia perdido, acredito que seria mais complicado não ter as reações descritas. Porém, ao manter a calma eu me permiti não sentir tantas sensações desagradáveis de forma desnecessária. Sabe aquele ditado, que diz que “peru é que morre de véspera”? Precisamos usar o autoconhecimento e o autocontrole a nosso favor, afinal, temos essa vantagem em relação ao pobre animal.

Caso não houvesse encontrado, precisaria agir com a mesma cautela novamente. Identificar como tentar solucionar e agir para encontrar a resolução, coisa que fica mais difícil quando estamos tomados pela ansiedade.

Como disse, este é um exemplo bastante simples, mas esta tentativa de autocontrole também é válida em situações mais complexas. Tente sempre fazer uma análise das possibilidades de ação e optar dentre elas a que aparenta ser a mais eficaz.

Aquilo que não podemos resolver

Por outro lado, existem algumas coisas que não estão sob nosso controle. Dependem de tempo, aceitação ou de atitudes de outras pessoas.

Se a questão só puder ser resolvida com o tempo, o empenho deve ser para conseguir ter paciência e aguardar o momento em que a solução será possível. Remoer pensamentos sobre uma situação que ainda não pode ser resolvida e que não depende de análise e reflexão só trará angústia.

Caso a única opção seja aceitar avalie a melhor forma de lidar com o que não se pode resolver. Manter uma sensação de impotência não resolverá o problema e nem trará benefício algum. Aceite que existem coisas que você não poderá resolver e foque naquelas em que você tem essa capacidade.

Se a questão depender de alguém que não seja você, tente pensar de que forma você pode ajudar e qual o limite dessa ajuda, aquele ponto em que você começa a sofrer pelo problema alheio e a se prejudicar com isso. Uma dificuldade em tomar tal atitude pode ser a sensação de estar sendo egoísta, quando na verdade precisamos nos preservar de problemas emocionais gerados pelas dificuldades de outras pessoas. Afinal, quem já não tem seus próprios problemas e dificuldades para lidar?

Pode ser fácil cair na armadilha de sofrer por antecipação ou por problemas cuja solução não depende de nosso esforço. Por isso esteja atento a comportamentos neste sentido. Questione-se para conseguir avaliar que tipos de atitudes contribuirão para que você mantenha o foco na resolução, não no problema.

Psicóloga clínica, analista do comportamento e especialista em dependência química. Trabalho em clínica para tratamento de transtornos psiquiátricos e dependência química e em consultório particular com atendimento a crianças e adultos.

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