Respeitando as Sinalizações

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O tempo todo passamos por algum tipo de treino para diferenciar os nomes das pessoas, as palavras que adquirimos em nosso vocabulário, objetos, cores, etc. Também como nos comportaremos em casa com os familiares e de outra forma quando estamos com nossos amigos, ou a diferença que fazemos para agirmos numa sala de aula ou em uma boate, saber usar corretamente nossos smartphones ou reconhecer os sinais de trânsito e muitas outras coisas.

Quando estamos na rua, seja caminhando ou guiando algum veículo, precisamos estar atentos à cor sinalizada no semáforo para nos orientarmos e, assim, evitarmos consequências negativas, tais como multas, colisões, atropelamentos ou até a própria morte. Mesmo recebendo aulas práticas e teóricas antes de sairmos por aí dirigindo ou pilotando, ainda assim os índices de acidentes por desrespeito às regras de sinalização são altos.

Assim como no trânsito existem sinais que indicam direções, limites e velocidade, podemos entender que os mesmos também existem em nossas interações com os diversos ambientes nos quais convivemos. Então, nas relações com as pessoas, será que “acidentes” também ocorrem por falta de respeito às sinalizações que o outro nos dá sobre seus possíveis limites?

Particularmente acredito que sim! Se fizer um esforço para lembrar-se de quantas vezes chateou alguém por fazer algo que já sabia que a pessoa não gostava, com certeza vai lembrar-se de algumas ocasiões. Por exemplo, talvez você já tenha entrado em casa com os sapatos sujos, coisa que deixa sua mãe bastante irritada. Ou já riu do amigo enquanto ganhava dele no videogame. Em relação aos casais, possivelmente você já fez uma brincadeira em hora imprópria, como quando a(o) companheira(o) está contando sobre um problema no trabalho. Vamos imaginar que tais pessoas já tenham demonstrado algum tipo de desagrado com tais atitudes suas. Isso pode servir de alerta para o que você deve ou não fazer em determinado contexto.

Muitas vezes, os sinais não são assim tão claros quanto alguém dizer diretamente que não gosta de tal comportamento. Então é importante aprender a identificar o que cada um sinaliza como limites, para evitar conflitos em nossas relações, magoar ou ser magoado.

Mesmo ainda pequenos já desenvolvemos essa capacidade de diferenciar as situações para pensarmos a melhor forma de agir. Lembro-me que quando criança eu sabia distinguir o melhor momento de pedir que meu pai jogasse futebol comigo. Caso ele chegasse com expressão facial mais fechada e falando pouco, eu nem me atrevia… Mas quando ele chegava fazendo brincadeiras e mais falante, aí sim eu sabia que valeria a pena pedir porque nesse caso geralmente conseguia a atenção dele para jogar comigo.

A todo momento estamos interagindo com uma gama de sinalizações ao nosso redor e nas relações com as pessoas. É importante que fiquemos atentos para além do que é importante para nós mesmos.

Percebo no meu trabalho como psicoterapeuta que a falta de respeito com o que o outro demonstra ser seu limite produz consequências graves nas relações. Quem é motorista e passa por determinado percurso diariamente provavelmente não será multado mais de uma vez pelo mesmo radar, porém, muitos relacionamentos são prejudicados pela imprudência no mesmo “trecho” por não aceitarmos o que o outro nos sinaliza. Por exemplo, quando você pisa no pé de alguém que grita alegando dor e você diz – “não foi para tanto”.

Mas antes de estimular que alguém respeite os sinais alheios gostaria de sugerir que os seus próprios limites fossem avaliados, pois em muitos casos somos nós mesmos que criamos contexto para sermos violados. Quantas vezes você já demonstrou desagrado por realizar um pedido que julga descabido e que ainda por cima lhe produz algum tipo de constrangimento ou mágoa?

Se fizermos algum esforço para reconhecermos os sinais que devemos respeitar e os sinais que devemos emitir, provavelmente produziremos menos “acidentes”, e consequentemente conheceremos melhor a nós mesmos e nos faremos conhecidos não apenas pelo que podemos proporcionar, mas também por nossos limites.

Psicólogo clínico, analista do comportamento e especialista em transtornos mentais e dependência química.

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